Com atuação ativa no ordenamento territorial e na proteção da Amazônia Legal, os projetos Viveiro Cidadão e Observa Rondônia ganham destaque no maior encontro de geógrafos do país. O time da Ecoporé esteve presente, representado por Flávio Santos, Gerente de Inteligência Territorial e autor dos trabalhos com contribuições focadas na Amazônia Legal, apresentando alternativas concretas ao modelo de desenvolvimento da região.


Subvertendo a Lógica do Ordenamento Territorial
Um dos destaques da programação foi a participação no Espaço de Diálogos e Práticas (EDP) com o trabalho intitulado: “Territórios de Restauração como estratégia de subversão do ordenamento territorial hegemônico: uma proposta para o zoneamento da restauração no Brasil”. A proposta contesta o modelo historicamente adotado em Rondônia, que segue uma lógica marcada pelo desmatamento, avanço da monocultura, desterritorialização dos Povos Indígenas, Povos e Comunidades Tradicionais e Agricultores Familiares (PIQCTAFS), além de conflitos fundiários. Assim, o texto propõe a adoção do ordenamento territorial como uma ferramenta que subverte o modelo insustentável adotado no estado.
“Sabemos que a restauração ecológica é o caminho para a reversão dessa lógica e para o enfrentamento às mudanças climáticas. Assim, a proposta indica o uso do ordenamento territorial baseado na restauração ecológica, proposta que também dialoga com as discussões realizadas na Comissão Nacional para Recuperação da Vegetação Nativa (CONAVEG) e no Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) no âmbito dos Territórios de Restauração,” afirma Flávio Santos. O estudo propõe a retomada do conceito de ordenamento como uma ferramenta transformadora, capaz de impulsionar políticas públicas de recuperação de áreas degradadas e alavancar a agenda da restauração ecológica a nível local e global.

(Foto: Acervo Ecoporé)
A Força da Vigilância Socioambiental na Amazônia
Além da apresentação no EDP, o evento contou com a realização da oficina “Observatórios socioambientais como ferramenta para a proteção territorial”, ministrada por Flávio Santos. A oficina compartilhou as práticas desenvolvidas pelo Observatório Socioambiental de Rondônia (Observa RO) e pela Rede de Observatórios Socioambientais da Amazônia Legal, demonstrando como o monitoramento territorial, a tecnologia e a inteligência geográfica podem ser aliadas fundamentais no combate ao desmatamento e no fortalecimento de comunidades tradicionais e agricultores familiares.
“A participação é fundamental, tanto pela apresentação de trabalhos acadêmicos quanto pelos outros espaços que participamos, como oficinas e mesas, pois foram espaços de promoção do intercâmbio de conhecimentos entre o que se pensa na Amazônia e o restante do país, além de fomentar uma reflexão crítica quanto às temáticas geográficas. Assim, retornamos à paisagem rondoniense e amazônica com contribuições e inserimos a Ecoporé e o conhecimento produzido a partir de suas experiências e atividades no debate de ponta da Geografia Brasileira.”
Flavio Santos, Gerente de Inteligência Territorial da Ecoporé.

(Foto: Acervo Ecoporé)
O XXI Encontro Nacional de Geógrafas e Geógrafos (XXI ENG) ocorreu entre os dias 19 e 25 de julho, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador. O evento foi promovido pela Associação de Geógrafas e Geógrafos do Brasil (AGB) e reuniu acadêmicos, pesquisadores e militantes de todo o país para debater o papel da ciência geográfica na construção da justiça socioambiental e na conservação da natureza.

