Comitiva com membros do MPA e da FAPERO acompanha atividades do Programa Ciência Cidadã em escolas ribeirinhas do rio Madeira

Representantes do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Rondônia (FAPERO) visitaram, em um mesmo dia, escolas ribeirinhas de São Carlos e Cujubim para acompanhar as devolutivas do Programa Jovem Pesquisador da Pesca Artesanal, realizado no âmbito do Programa Ciência Cidadã da Aliança Águas Amazônicas. As ações são executadas pela Ecoporé, integrante da Aliança, em parceria com o Laboratório de Ictiologia e Pesca (LIP) da Universidade Federal de Rondônia (UNIR). 

A comitiva partiu de Porto Velho, seguindo por estrada e, depois, atravessaram o rio Madeira –  o maior afluente do rio Amazonas – até a comunidade de São Carlos, primeiro destino da agenda. À tarde, o grupo seguiu para o distrito de Cujubim, encerrando o percurso com as atividades realizadas na escola Raimundo Nonato.

O Programa Ciência Cidadã conecta instituições amazônicas para gerar e compartilhar conhecimento sobre os peixes e os ecossistemas aquáticos da Bacia Amazônica. O programa foi trazido a Rondônia pela pesquisadora e professora da Unir, Carolina Dória, hoje secretária nacional de Pesquisa e Monitoramento do MPA, e é atualmente coordenado no estado por Ana Paula Albuquerque, da Ecoporé.

Programa Jovem Cientista da Pesca Artesanal, vinculado ao Programa de Ciência Cidadã, estimula a formação científica entre estudantes de ensino médio que são pescadores ou filhos de pescadores. A proposta busca compreender a pesca não apenas como atividade econômica, mas como elo entre gerações, práticas culturais e modos de vida que contribuem para a conservação dos rios da Bacia Amazônica.

“Os estudantes apresentaram o que vivenciaram ao longo do ano. Foi possível ver o quanto aprenderam, muitos desenvolveram competências que envolvem desde a identificação de espécies até a análise de dados sobre consumo e biometria”, explicou Ana Paula Albuquerque, coordenadora do Programa Ciência Cidadã na Ecoporé.

Em São Carlos, as jovens pesquisadoras da escola Juracy Lima Tavares apresentaram um podcast Ictiocast produzido por elas, que será disponibilizado nas redes da Ecoporé. No episódio, as estudantes relataram o que aprenderam sobre a pesca artesanal, o território e o papel das mulheres nesse campo.

Entre elas está Revely Pinheiro, egressa da escola e hoje voluntária do projeto. Durante as atividades, Revely registrou o maior peixe já medido no âmbito do programa em São Carlos — um surubim de 7 quilos. 

O dado integra o sistema de monitoramento da Aliança Águas Amazônicas e ajuda a compreender a presença e o tamanho das espécies no rio Madeira, indicador importante da saúde dos ecossistemas aquáticos

“Aprendi sobre espécies que não conhecia, como o aruanã e o jaú. Participo porque gosto da pesca e porque ela vem do meu avô, do meu pai. É algo que passa de geração em geração”, contou Revely.

Na avaliação de Carolina Dória, a devolutiva permitiu acompanhar de perto a importância da integração entre escola, comunidade e poder público.

“É nesse processo de iniciação científica que se desperta o interesse dos jovens pelos recursos que utilizam, no caso, a pesca. Quando as escolas, o poder público e a comunidade trabalham juntos, o resultado é uma educação conectada com o território e com a conservação desses recursos”, disse.

O chefe da Divisão da Coordenação de Territórios Pesqueiros e Integração de Políticas Públicas do MPA, Rafael Fernandes Carneiro, destacou que os resultados do programa fortalecem a relação entre juventude, ciência e pesca artesanal.

“O projeto plantou uma semente. Esses jovens se reconhecem como pesquisadores e percebem que a universidade é uma possibilidade concreta”, afirmou.

Durante a apresentação em São Carlos, Francisco, pai de uma das estudantes, disse estar emocionado com a participação de sua filha no programa:

“Foi um prazer ver minha filha participando. Fiquei feliz de estar aqui”, disse. A visita contou ainda com as presenças de Suana Medeiros Silva, Bianca Mesquita, Tatiane Lemos, Arthur Cássio Cardoso e Cristiano Quaresma de Paula, do Ministério da Pesca e Aquicultura, além das equipes da Ecoporé e do LIP/UNIR.

“Ver os filhos dos pescadores na escola, fazendo ciência, é uma forma de manter viva a cultura da pesca e a memória das famílias”, completou Suana Medeiros Silva, da Secretaria Nacional de Pesca Artesanal do MPA.

Por meio das atividades que envolvem o monitoramento pesqueiro realizado pelos estudantes nas escolas ribeirinhas de Rondônia, a Aliança Águas Amazônicas passa a ter acesso a informações sobre os estoques pesqueiros dessas comunidades, fortalecendo o entendimento sobre a dinâmica do rio Madeira e contribuindo para políticas públicas e ações de conservação das águas amazônicas.

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