Dia de Campo aproxima ciência e campo para fortalecer a pecuária sustentável e a conservação do solo em Rondônia

Todo alimento produzido começa no solo. É dele que vêm os nutrientes que sustentam as pastagens, regulam a água, armazenam carbono e garantem a produtividade das propriedades rurais. Quando manejado de forma inadequada, o solo perde fertilidade, compacta, sofre erosão e compromete não apenas a produção, mas também a qualidade ambiental e a segurança econômica do produtor.

Na semana em que se celebra o Dia Internacional da Conservação do Solo, a relação entre produção e conservação ganha ainda mais evidência. Em Rondônia, onde a pecuária ocupa grande parte da paisagem rural, investir em práticas que preservem esse recurso natural é um passo essencial para tornar a atividade mais eficiente, resiliente e sustentável.

Foi com esse propósito que a Ecoporé, em parceria com a Embrapa Rondônia e a Secretaria Municipal de Agricultura (Semagric), promoveu o Dia de Campo: Pecuária Sustentável, iniciativa do projeto Escola da Pecuária Sustentável, com financiamento da Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável, que reuniu produtores rurais, estudantes, técnicos e pesquisadores para compartilhar tecnologias e soluções capazes de aumentar a produtividade das propriedades ao mesmo tempo em que reduzem impactos ambientais.

Realizado na sede da Embrapa Rondônia, em Porto Velho, o encontro foi pensado como um espaço de aprendizagem prática e troca de experiências, aproximando o conhecimento científico da realidade vivida nas propriedades rurais. Ao longo da programação, os participantes percorreram quatro estações técnicas conduzidas pelos pesquisadores Daniel Schmitt, José Gledyson da Silva, Ana Karina Dias Salman, Odilene Souza e pelo presidente da Ecoporé, Marcelo Ferronato.

Cada estação demonstrou como diferentes decisões de manejo estão diretamente ligadas à saúde do solo. No tema “Pasto bem manejado: mais produção por hectare”, foram apresentadas estratégias para melhorar o aproveitamento das pastagens, elevar a produtividade e prevenir a degradação do solo. Um pasto manejado corretamente reduz áreas degradadas, favorece a cobertura vegetal, melhora a infiltração da água e diminui processos erosivos, contribuindo para manter a fertilidade e a capacidade produtiva da terra.

Na estação “Seca planejada: alimento garantido e rebanho produtivo”, os participantes conheceram alternativas para o planejamento alimentar durante o período seco, incluindo suplementação, capineiras, silagem e outras estratégias que reduzem a pressão sobre as pastagens nos períodos mais críticos do ano. Além de garantir alimento ao rebanho, esse planejamento permite que as áreas de pastagem tenham tempo para se recuperar naturalmente, preservando a estrutura e a qualidade do solo.

O manejo racional dos animais também esteve entre os temas centrais do encontro. A estação “Manejo racional e bem-estar: animais mais tranquilos, mais segurança e melhor resultado” apresentou boas práticas de manejo e o uso adequado das instalações para reduzir o estresse dos animais, aumentar a segurança no trabalho e melhorar os resultados produtivos, mostrando que eficiência, bem-estar animal e sustentabilidade caminham juntos.

Já a estação “Reserva Legal Produtiva: recompor com inteligência e menor custo” abordou alternativas para recuperar áreas de Reserva Legal de forma integrada à gestão da propriedade rural. Além de contribuir para a regularização ambiental, a recomposição da vegetação fortalece a proteção do solo, reduz a erosão, favorece a biodiversidade e melhora a disponibilidade de água nas propriedades, demonstrando que a conservação ambiental também representa um investimento na sustentabilidade da produção.

Segundo o presidente da Ecoporé, Marcelo Ferronato, esse é justamente o propósito do projeto desde sua criação.

“Quando criamos esse projeto, pensamos justamente em transformar esse espaço em uma grande sala de aula a céu aberto. Aqui acontece uma verdadeira troca de experiências. Os produtores trazem suas dúvidas, compartilham a realidade das propriedades e nós apresentamos alternativas que podem ser colocadas em prática imediatamente.”

Mais do que apresentar tecnologias, a Escola da Pecuária Sustentável busca fortalecer uma nova visão sobre a produção rural, baseada na intensificação sustentável, no uso eficiente dos recursos naturais e na valorização do solo como patrimônio estratégico para o futuro da agropecuária. A iniciativa incentiva práticas que conciliam produtividade, eficiência econômica e conservação ambiental, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da pecuária em Rondônia e para a adaptação das propriedades aos desafios das mudanças climáticas.

Esta publicação é uma parceria entre a Ecoporé e o projeto ProTS, financiado pelo Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento (BMZ) da Alemanha e implementado pela Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). O seu conteúdo é de responsabilidade exclusiva da Ecoporé e não reflete necessariamente as opiniões do Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento (BMZ) da Alemanha.

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