“A semente traz sustento para nossa comunidade”: Como o saber ancestral gera renda e restaura a Amazônia

Na Aldeia Beijarana, restaurar a floresta é também uma forma de reafirmar quem somos.” Para o povo Karitiana, o Projeto Regenera vai além de muvuca, colheita e plantio de árvores: é um encontro entre a técnica e a ancestralidade.

Mesmo com a proximidade dos centros urbanos, a cultura Karitiana permanece viva, provando que o contato com a sociedade não-indígena não é uma barreira, mas um espaço de afirmação. Para Breno Macurap Karitiana, liderança da Aldeia Beijarana, a cultura Karitiana dá continuidade a seus ritos e tradições, garantindo que sua cultura seja perpassada por gerações.

“O que aprendemos todos os dias não interfere na nossa cultura, hoje nós levamos a nossa cultura junto a comunidade.”

Essa fala de Breno reflete que a comunidade não precisa abrir mão da sua identidade para se desenvolver; mantendo sua tradição mesmo em contextos distintos.

Crianças da aldeia às margens do rio (Foto: Paulo Bonavigo/Acervo Ecoporé)

A Semente como Motor de Transformação. 

O maior exemplo disso está no processo de coleta de sementes, que une o saber ancestral com geração de renda. Antes da coleta de sementes, pela cultura Karitiana, há o costume de fazer um pedido de licença para a árvore para a boa colheita. As sementes coletadas são utilizadas para a restauração de áreas degradadas. Mais do que devolver a floresta, essa iniciativa gera renda para a comunidade e fortalece a economia local através do reflorestamento.

Breno Macurape Karitiana com um punhado de sementes em mãos (Foto: Juan Rodrigues/ Acervo Ecoporé)

Como destaca Breno: “A semente traz assim um sustento para nossa comunidade, é o sustento daquela família para sustentar em casa.” Dessa forma, a semente deixa de ser apenas um recurso natural e passa a ser um motor de uma economia sustentável.

Diferente de modelos predatórios, dentro do Regenera o desenvolvimento e a geração de renda andam lado a lado com cuidado ambiental. O desafio de restaurar áreas degradadas não é apenas plantar árvores, mas reconectar as pessoas com a vida que brota do solo.

Essa conexão é evidenciada pelo trabalho conjunto feito pela aldeia Karitiana. Para Breno, saber que a floresta protegida por seu povo está ajudando a curar terras degradadas em outros lugares é o maior símbolo de sucesso do projeto. “Fico feliz quando se fala de uma área que foi restaurada com as nossas sementes, é uma maravilha,” afirma.

Assim, a Ecoporé, por meio do projeto Regenera, reafirma que restaurar a Amazônia é valorizar quem vive nela. Com o patrocínio da The Caring Family Foundation e a parceria da Associação Indígena da Aldeia Bejarana, transformamos sementes coletadas com sabedoria em renda para a comunidade e fortalecimento da economia local.

A ação conta também com o apoio da Rede de Sementes da Bioeconomia  Amazônica (RESEBA) que tem como objetivo geral articular atores sociais em prol da coleta e produção de sementes de espécies da flora amazônica e exótica de interesse ecológico-econômico, como mecanismo de fortalecimento das cadeias produtivas da bioeconomia e da restauração ecológica.

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