Recuperação das matas avança na Amazônia: produtores já veem a vida voltar

Entre sementes e mudas, o trabalho de recuperação ambiental em Ministro Andreazza e Alta Floresta d’Oeste devolve a força das águas e a proteção do solo para as famílias do campo

Ver uma floresta crescer é muito parecido com acompanhar o desenvolvimento de uma criança: cada etapa exige cuidado, paciência e a certeza de que os frutos virão. A água sustenta as famílias rurais de Rondônia e a floresta e as nascentes precisam ser cuidadas. Mas o solo em alguns locais de muitas propriedades estava desprotegido, dominado pelo capim e exposto à erosão, o que prejudica que os rios forneçam água em abundância e qualidade.

É com esse olhar de parceria e cuidado com a terra que a Ecoporé compartilha técnicas e práticas de recuperação para Áreas de Preservação Permanente (APPs) em Alta Floresta d’Oeste e Ministro Andreazza ajudando a natureza a encontrar seu caminho e devolvendo a vida às margens dos rios. Mais do que plantar árvores, a iniciativa devolve a vida a rios e nascentes que sustentam a produção das famílias rurais da região.

Em vez de apenas plantar árvores isoladas, a iniciativa une tecnologia e conhecimento prático. Em Ministro Andreazza, o trabalho ganhou força com o plantio de mudas de árvores em áreas que agora ficarão protegidas para que a vegetação cresça sem interrupções.

Já em Alta Floresta d’Oeste, a estratégia utilizou a “muvuca de sementes” — uma combinação poderosa e eficiente de sementes nativas com adubação verde que são plantadas diretamente no solo e espalham esperança ao juntar-se ao plantio de mudas na mesma área. É a tecnologia da natureza trabalhando ao lado do produtor aumentando rapidamente a diversidade vegetal e a cobertura da terra.

As mudanças ainda são o começo de uma longa jornada, mas quem vive no campo já percebe a diferença. Onde antes o capim dominava sozinho, agora as espécies nativas começam a aparecer. O solo, antes exposto ao sol e à chuva, agora ganha a proteção das folhas, evitando a erosão.

Área de restauração com muvuca começa a dar resultado em Espigão D’Oeste(Foto: Juliana Curitiba/Acervo Ecoporé)

O maior presente? A água. A melhoria na qualidade dos rios mostra que, quando cuidamos da mata, a natureza nos retribui com recursos essenciais para a vida e para a produção.

Contudo, como em qualquer processo de crescimento, não basta apenas plantar; é preciso estar presente. A analista ambiental e extensionista rural Juliana Curitiba, explica que o acompanhamento constante é o que garante que o esforço do produtor gere resultados.

O monitoramento contínuo permite observar como a vegetação está se desenvolvendo, verificar se as espécies estão se estabelecendo adequadamente e identificar possíveis problemas, como a falta de controle do capim, presença de formigas, perda de mudas ou entrada de animais. Assim, é possível agir quando necessário, tornando as ações de recuperação mais eficazes e apoiando o pequeno produtor na tomada de decisões, contribuindo, portanto, para a conservação da biodiversidade, explica Juliana.

Área de restauração que passa por monitoramento em Rondônia (Foto: Juliana Curitiba/Acervo Ecoporé)

Onde o projeto atua:

Ministro Andreazza e Alta Floresta d’Oeste é apenas uma amostra do todo do projeto que atende também propriedades em 26 municípios com forte desenvolvimento agropecuário no estado de Rondônia: Alto Alegre dos Parecis, Alvorada D’Oeste, Cacoal, Castanheiras, Chupinguaia, Costa Marques, Espigão D’Oeste, Governador Jorge Teixeira, Ji-Paraná, Mirante da Serra, Nova Brasilândia D’Oeste, Nova União, Novo Horizonte do Oeste, Parecis, Pimenta Bueno, Presidente Médici, Primavera de Rondônia, Rolim de Moura, Santa Luzia D’Oeste, São Felipe D’Oeste, São Francisco do Guaporé, São Miguel do Guaporé, Seringueiras, Teixeirópolis, Urupá, Vilhena. Quase todos esses municípios pertencem à região central ou ao sul do estado, áreas conhecidas pelo forte desenvolvimento agropecuário.

Essa transformação faz parte do Projeto Regulariza Rural é financiado pelo Ministério de Cooperação e Desenvolvimento Econômico da Alemanha (BMZ), por meio do Banco de Desenvolvimento Alemão (KfW), coordenado pelo Serviço Florestal Brasileiro em parceria com a SEDAM, e executado pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

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