Seminário destacou resultados do projeto Vitrines da Restauração, que utiliza semeadura direta de espécies nativas para recuperação ambiental de propriedades rurais
Produtores rurais, técnicos e especialistas ambientais participaram, em Alvorada D’Oeste (RO), do seminário de encerramento do projeto Vitrines da Restauração, que apresentou os resultados da aplicação da técnica conhecida como “muvuca de sementes” para a recuperação florestal em propriedades rurais. O encontro demonstrou que a prática reduz os custos de restauração e contribui para gerar benefícios socioeconômicos para a região.
O projeto é executado pela organização socioambiental Ecoporé, em parceria com os Escritórios Verdes JBS e com apoio financeiro do Fundo JBS pela Amazônia, e integra uma estratégia mais ampla de estímulo à restauração florestal na região.
De acordo com o diretor-executivo da Ecoporé, Paulo Bonavigo, a iniciativa priorizou soluções viáveis para produtores em Rondônia. No estado, muitas propriedades ainda precisam avançar na regularização ambiental por meio do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e do Programa de Regularização Ambiental (PRA). No entanto, o custo de métodos tradicionais de recuperação, como o plantio de mudas, ainda é um obstáculo para muitos agricultores.
“O projeto foi pensado para apoiar produtores rurais na regularização ambiental de suas propriedades, com foco especial nos pequenos produtores, que geralmente dispõem de menos recursos para recuperar suas áreas. A muvuca surge como uma alternativa mais barata e eficaz para a recomposição de áreas degradadas”, afirma Bonavigo.

Para Thalisson Ferreira, supervisor de sustentabilidade da JBS, a iniciativa também evidenciou o potencial da restauração florestal para fortalecer cadeias da bioeconomia regional. A coleta de sementes nativas mobiliza comunidades locais e gera renda adicional para famílias da região. “O projeto mostra que a restauração florestal vai além da recuperação ambiental. Ela mobiliza uma rede de coleta de sementes e envolve trabalhadores e comunidades tradicionais”, ressalta.
Por meio da Rede de Sementes da Bioeconomia Amazônica (RESEBA), indígenas, quilombolas e agricultores familiares participam da coleta e fornecimento das sementes utilizadas na restauração, criando oportunidades de geração de renda e valorização de conhecimentos tradicionais. Em cenários de expansão da iniciativa, a comercialização de sementes pode gerar aumento de até 60% na renda das comunidades envolvidas.

Troca de conhecimento
O seminário também serviu como espaço de troca de experiências entre produtores, técnicos e instituições ligadas à extensão rural. A produtora rural Diega da Cruz destacou o aprendizado proporcionado pelo evento. “Achei o seminário bastante positivo. Aprendi uma nova técnica com a qual nunca tinha trabalhado. Foi muito bom conhecer as metodologias e também compreender o contexto do município, já que sou nova aqui”.
O extensionista da Emater Rondônia, Antônio de Assis Soares Furtado, avalia que a tecnologia pode ampliar o acesso à restauração ambiental entre pequenos produtores. “Além de ser uma tecnologia interessante, não é difícil de implantar, não é complicada de fazer e qualquer agricultor, seja familiar ou não, pode adotar a técnica”, afirma.

Resultados nas propriedades
A “muvuca de sementes” foi aplicada em áreas demonstrativas da região. Baseada na mistura de dezenas de espécies nativas e plantas de adubação verde, a técnica é inspirada em práticas tradicionais, o que favorece a rápida cobertura do solo e estimula a regeneração natural da floresta. A recuperação florestal é um processo de longo prazo, que exige paciência e acompanhamento contínuo.
O produtor rural Mario Alves, proprietário de uma das áreas demonstrativas, destaca a importância do projeto para estimular a recuperação ambiental nas propriedades: “O primeiro passo já foi dado. Sei que é um trabalho de longo prazo, mas se continuarmos cuidando da área como estamos, acredito que vai dar tudo certo e teremos bons resultados no futuro”.
+ Veja o vídeo completo sobre a técnica da Muvuca
A expectativa dos organizadores é que os resultados obtidos nas áreas demonstrativas incentivem novos produtores da região a adotar a técnica e ampliem as iniciativas de restauração florestal em Rondônia.


