“Através do reflorestamento a gente consegue trazer qualidade”. É o que afirma Arildo Ferreira dos Santos, produtor da agroindústria familiar, sobre a importância da Ecoporé na qualidade da produção. A propriedade fez parte do projeto Águas do Pirarara, executado pela Ecoporé com recursos do Fundo de Reconstituição de Bens Lesados – FRBL, do Ministério Público Estadual de Rondônia – MPRO, e marcou a vida do produtor local. Para ele, o trabalho em parceria foi de suma importância na sua trajetória com a agricultura familiar e desenvolvimento. Para marcar a parceria de longa data, o proprietário e família receberam placas de identificação da área de recomposição da vegetação nativa. No local foram restaurados 4,92 hectares com sete mil árvores plantadas.
A família do produtor Arildo Ferreira, de Cacoal (RO), sempre cultivou a terra com dedicação e alcançou o reconhecimento nacional ao produzir o 2º melhor café do Brasil no Coffee of the Year 2023. O sucesso da marca AF Café transformou a realidade da propriedade na Linha 6, permitindo que o café especial custeasse a faculdade da filha e impulsionasse a criação de uma agroindústria familiar própria.
Arildo compreendia que a excelência do grão na xícara não era suficiente se a produção estivesse desconectada da saúde ambiental da propriedade. “Não adianta eu mostrar um bom produto, mas estar fazendo errado”, refletia o produtor diante de áreas de preservação degradadas e da dificuldade de realizar uma recuperação ecológica de larga escala por conta própria, um gargalo comum que impede pequenos produtores de acessarem mercados ainda mais exigentes e sustentáveis.

A parceria com a Ecoporé, através do projeto Águas do Pirarara, se tornou o divisor de águas para a sustentabilidade do negócio. Com o apoio técnico e recursos do FRBL/MPRO, foram plantadas 7 mil árvores, restaurando quase 5 hectares de áreas degradadas e protegendo os cursos d’água que nutrem o cafezal. A ação não apenas regularizou ambientalmente a propriedade, mas mudou a visão da família sobre a produção. Hoje, com a entrega das placas de identificação da área reflorestada, a Ecoporé consolida o AF Café como um modelo de bioeconomia, onde a restauração da floresta garante a qualidade do clima, da água e, consequentemente, o futuro de uma das melhores produções de café do país. Paulo Bonavigo, diretor executivo da Ecoporé, diz ser muito gratificante ouvir histórias como a de Arildo, pois mostram que os esforços da instituição estão gerando resultado:
“Elaborar e executar projetos que apoiam as iniciativas da agricultura familiar fazem parte do DNA da Ecoporé. Através da captação de recursos, conseguimos unir a urgência da restauração ecológica, principalmente das matas ciliares, protegendo os cursos d’água, com as necessidades e sonhos dos agricultores e agricultoras. Saber que através do nosso trabalho novos negócios rurais da bioeconomia alcançam novos espaços e geram renda para as famílias. É gratificante ouvir e ver a trajetória do Arildo e sua família, além é claro da oportunidade de termos um café de extrema qualidade, como é o caso do AF Café. Histórias assim nos mune de esperança e certeza que estamos no caminho certo.”

A agroindústria familiar de Arildo fica em Cacoal. Por lá, junto de sua esposa Lucilene de Jesus Maia Santos e família, ele transformou o futuro de sua área ao proteger seu rio, melhorar sua produção de café e ganhar diversos prêmios, levando o nome da família Santos ao reconhecimento nacional.

Segundo Arildo, no ano de 2017 a família Santos foi convidada a participar de disputas locais e veio a chance de estar no concurso de qualidade do café de Rondônia, o Concafé, sem saber muito sobre a qualidade de sua produção. O café foi preparado e as amostras foram enviadas, porém Arildo e sua esposa não conseguiram esperar o resultado do concurso, e o café foi vendido como café commodity. Veio o resultado e grande foi a surpresa quando o café havia recebido a segunda maior nota do concurso. O casal porém teve que adequar o número de sacas especiais e se reorganizar para a próxima temporada.
O contratempo não foi um empecilho. No ano seguinte a família Santos preparou novamente o café para o concurso e o resultado foi uma boa nota, mas não conseguiram vender o café especial cru. Diante disso, veio a ideia de torrar o café para o próprio consumo. Ao oferecer o café torrado para as visitas em sua residência surgia a pergunta: Que café era aquele? Arildo e Lucilene respondiam: ‘É o nosso café especial’.
No ano de 2020 a filha mais velha de Arildo manifestou o desejo de fazer faculdade, foi quando Arildo decidiu então investir ainda mais na qualidade do café produzido. “Nos primeiros três meses da faculdade, eu gastava quase quatro sacas de café para pagar a faculdade dela e com o café torrado eu não gastava nem duas,” relembra Arildo. Com ajuda de sua filha Arildo conseguiu uma rede de comércio entre professores, alunos e vizinhos, conseguindo assim pagar sua faculdade e fortalecendo ainda mais o negócio familiar.
A partir disso, nos anos seguintes Arildo começou a vender e divulgar o café junto a pequenos mercados locais. O investimento e assistência técnica contribuíram para a nutrição das plantas e geração de ganho significativo, segundo ele. No ano de 2023 mais uma vez Arildo e Lucilene prepararam amostras para o concurso Concafé, além de participar da Semana Internacional do Café (SIC) no qual a amostra de Lucilene foi classificada como o segundo melhor café do Brasil no concurso Coffee of the Year.
Em 2022 Arildo fechou parceria com a Ecoporé com objetivo de fortalecer o componente ambiental de sua produção. A Ecoporé auxiliou com o plantio de mudas contribuindo para a formação de áreas de sombra, a recuperação ambiental e o aumento de estocagem de carbono. “No início eu não acreditei que ia dar tão certo,” comenta Arildo.

No ano de 2024 a família Santos começou a construção da sua própria agroindústria, na qual torram os cafés e ampliam seu pequeno comércio de cafés especiais e tradicionais. O objetivo do casal é continuar buscando a sustentabilidade nessa nova fase, pois segundo eles: “Não podemos mudar o mundo, mas podemos mudar onde vivemos.” O investimento em conhecimento, gestão, reflorestamento e inovação transformaram a realidade e criaram um futuro promissor no campo.
A Ecoporé consolida parcerias estratégicas com pequenos agricultores da Amazônia, oferecendo assistência técnica, diagnósticos socioambientais e orientação gratuita para a adequação ambiental de propriedades rurais. Esse trabalho de base prepara o terreno para que produtores familiares, antes invisíveis, organizem sua produção dentro das normas vigentes.
A falta de financiamento para recuperar áreas degradadas e as crescentes exigências de mercados internacionais criam uma barreira de entrada para o pequeno produtor. Sem a regularização e o selo de sustentabilidade, esses agricultores ficam presos a cadeias de baixo valor, correndo o risco de exclusão em um cenário global que não aceita mais produtos sem procedência ecológica garantida.
Portanto, a Ecoporé atua como a ponte para essa nova economia, viabilizando a restauração ecológica que abre portas para mercados diferenciados. Através de iniciativas como o Floresta Hub e a vitrine AmazoniAtiva, a instituição transforma a conformidade ambiental em vantagem competitiva, conectando consumidores conscientes a negócios regenerativos e garantindo que o cuidado com a floresta se converta diretamente em renda e dignidade para as famílias amazônidas.

