
As recentes operações na Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau são marcas de uma história complexa, que não pode ser reduzida a especulação. Reafirmamos a importância do diálogo, da informação responsável e do respeito às decisões da Justiça, que buscam garantir a proteção dos territórios e a convivência pacífica entre as comunidades indígenas e não indígenas.
Essa complexidade que envolve a Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau é marcadas tanto por sobreposições fundiárias na emissão de títulos de terra e erros administrativos, ocorridos ao longo da colonização de Rondônia, mas também por constantes tentativas de invasão e ocupações ilegais. É uma situação que exige sensibilidade, transparência e uma ação conjunta dos órgãos públicos responsáveis para assegurar tanto os direitos territoriais indígenas quanto o tratamento justo às famílias que vivem nas áreas afetadas.
Somos contrários a qualquer uso político da situação, feito para ganhar engajamento ou criar “heroísmos” com fins eleitoreiros sobre a dor, o medo e a insegurança das pessoas indígenas e não indígenas que vivem na região.
Destacamos que os povos indígenas da região mantêm uma relação constante com as cidades próximas, contribuindo para a economia local através da venda de produtos, do consumo e de parcerias. Isso fortalece o convívio social e a produção da região. Essa presença é parte da economia e da vida destas pessoas. Desinformação (Fake News) e usos mal-intencionados da situação reforçam a ideia de exclusão muitas vezes associada a essas comunidades e intensificam conflitos, muitos deles que já haviam sido pacificados.
Elas são pessoas que fazem parte da sociedade e devem ser respeitadas como tal.
Diante do cenário atual, a Ecoporé defende que as ações de ordenamento territorial sejam feitas de forma pacífica, com diálogo e com base em informações técnicas e legais corretas. É preciso evitar a desinformação, que pode gerar conflito ou colocar em risco a segurança de qualquer grupo envolvido.
Cabe aos governos e legisladores encontrarem as soluções reais e justas. Isso inclui, conforme cada caso, ajudar as famílias de boa-fé a se estabelecerem em outro lugar, para que possam ter uma vida digna e em paz. O que não se pode é promover mais divisão entre as pessoas do que já existe.
Reforçamos nosso apoio às iniciativas que promovam o diálogo e a construção de soluções equilibradas, que respeitem as leis e garantam a segurança das famílias — indígenas e não indígenas — que compartilham histórias, relações e laços em toda região Amazônica.
Pelo diálogo, pela paz e pelo respeito.

